Chico Buarque cita MachIntosh em canção

Trecho da letra de Baticum, do Chico Buarque:

Aquela noite quem tava lá na praia viu
E quem não viu jamais verá
Mas se você quiser saber
A Warner gravou
E a Globo vai passar
(...)
Zeca pensou: antes que era bom
Mano cortou: brother, o que é que há
Foi a G.E. quem iluminou
E a MacIntosh entrou com o vatapá

Foto do Chico Buarque usando um Mac da Apple encontrada no twittpic do @Ale_Canatella.

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Quem se defende

Quem se defende porque lhe tiram o ar
Ao lhe apertar a garganta, para este há um parágrafo
Que diz: ele agiu em legítima defesa. Mas
O mesmo parágrafo silencia
Quando vocês se defendem porque lhes tiram o pão.
E no entanto morre quem não come, e quem não come o suficiente
Morre lentamente. Durante os anos todos em que morre
Não lhe é permitido se defender.


Bertolt Brecht

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O Livro das Ignorãças

O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa era a imagem de um vidro mole que fazia uma volta atrás de casa.
Passou um homem depois e disse: Essa volta que o rio faz por atrás de sua casa se chama enseada.
Não era mais a imagem de uma cobra de vidro que fazia uma volta atrás de casa.
Era uma enseada.
Acho que o nome empobreceu a imagem.


Manuel de Barros
O Livro das Ignorãças, Uma didática da invenção, XIX.
Vi o poema num comentário da Mourthé.

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Pós-Aquém

     pensando em nós
saber sem pressa
   querer veloz


Rodrigo Gonzatto

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    tua boca, o meu lábio sublinha
os olhos não sabem, a língua adivinha
vão de encontro até se perderem
    até nossas línguas não saberem
se eram da sua boca ou da minha...


Rodrigo Gonzatto

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Perguntas de um Operário Letrado

Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilónia, tantas vezes destruida,
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
Da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
Sò tinha palácios
Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida
Na noite em que o mar a engoliu
Viu afogados gritar por seus escravos.

O jovem Alexandre conquistou as Indias
Sózinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos
Quem mais a ganhou?

Em cada página uma vitòria.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?

Tantas histórias
Quantas perguntas


Bertold Brecht

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Cartas na mesa

Entre mim e Celeste,
toda a sorte de paus,
espadas e valetes
- eterno tête-à-tête
feito de blefes e tabefes,
cartas de amor e de baralho,
muito Valium e omelete.

Celeste - cadela! - se soubesse
que roubei dois curingas,
que enrabei Rafaela...
Caralho! Será que ela sabe?
Será? Será que ela sabe? Será? Celeste?

Celeste sabe, eu sei,
dos truques do pôquer,
dos porquês do truco,
mas saberá de Rafaela?
Das demais dançarinas?
Da Sabrina? Da Samanta?
Dos curingas na manga?

"Bati." "De novo?!" "De novo." "Outra mão?"
"Dê as cartas."
Sim, ela sabe - eu sei.
Só não sabe que eu sei que ela sabe.
Será que sabe? Será que ela sabe que eu sei?
Ela sabe que eu sei!
Só não sabe que eu sei que ela sabe.


Não sei o autor.
Se souber, deixe nos comentários!

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...os lugares-comuns, as frases feitas, os bordões, os narizes-de-cera, as sentenças de almanaque, os rifões e provérbios,
tudo pode aparecer como novidade, a questão está só em saber manejar adequadamente as palavras que estejam antes e depois.

José Saramago

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Apelo a Meus Dessemelhantes em Favor da Paz [trecho]

Ah, não me tragam originais
para ler, para corrigir, para louvar
sobretudo, para louvar

Respeitem a fera.
Triste, sem presas, é fera

Vocês, garotos de colégio,
não perguntem ao poeta quando nasceu.
Ele não nasceu.
Não vai nascer mais.
Desistiu de nascer quando viu que o esperavam garotos de colégio
de lápis em punho
com professores na retaguarda comandando:
Cacem o urso-polar,
tragam-no vivo para fazer uma conferência.


Carlos Drummond de Andrade

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silêncio

nu.
eu,
tu.


Rodrigo Gonzatto

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simples

  quero sinais claros
  - não só os olhares


quero todas as explosões de alegria
e os mares de rosas
os medos e os cochichos
todas as folhas de caderno rasgadas

  se não for pra ser assim,
  então não me serve
  não me satisfaz...


quero tudo!
dos suspiros contidos à voz que falha:
eu preciso é das mãos que tremem!

um sinal simples
como uma noite passada em claro,
ou um sonho em plena luz do dia...


Rodrigo Gonzatto

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Da primeira vez...

Da vez primeira em que me assassinaram
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha...
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha...

Hoje, dos meus cadáveres eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada...
Arde um toco de vela amarelada...
Como único bem que me ficou!

Vinde, corvos, chacais, ladrões da estrada!
Pois dessa mão avaramente adunca,
Não haverão de arrancar a luz sagrada!

Aves da Noite! Asas do Horror! Voejai!
Que a luz, trêmula e triste como um ai,
A luz de um morto não se apaga nunca!


Mario Quintana

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Escrever nem uma coisa
Nem outra
-A fim de dizer todas
Ou, pelo menos, nenhumas.
Assim,
Ao poeta faz bem
Desexplicar
-Tanto quanto escurecer acende os vaga-lumes.


Manoel de Barrros

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[das apresentações formais]

- apresento-lhe meu caro anônimo célebre.
- enchanté, sou o ilustre desconhecido.


Giuliano Quase

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Fatalidade

A mulher madura viceja
nos seios de treze anos de certa menina morena.
Amantes fidelíssimos se matarão em duelo
crepúsculos desfilarão em posição de sentido
o sol será destronado e durante séculos violas plangentes
farão assembléias de emergência.

Tudo isso já vejo nuns seios arrebitados
de primeira comunhão.


Cacaso

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 não ouse ir
  so close

  um beijo
tão quase
   to be


Rodrigo Gonzatto

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Procura-se esta moça

Esta moça que nos penetra com seu olhar, no topo deste blog, foi imortalizada por Alexey Nikishin. Vale a pena conhecer sua obra poética completa.



Sentirei-me presenteado se alguém apontar para mais imagens desta moça. Ouvi dizer que se chama Vilki Masha.



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ploft



escrever poesia
algumas vezes

é como jogar
pedra em açude



as ondas se formam
e a gente conclui
que aquilo não é
poesia

é física


Lau Siqueira

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pintei a cabeça de alguém. aquilo que fazia o encaixe dos olhos, do nariz e da boca não estava direito. onde dei um tiro, todos procuravam arte.

Rodrigo Gonzatto

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Ainda estou procurando o espaço público

retiro o rótulo da garrafa na unha

a madrugada. um copo, uma rua,
a lua
eu e minhas testemunhas


Rodrigo Gonzatto
Conheça mais poemas deste autor.

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